Em mensagem ao povo de Deus, Bispos do Brasil reafirmam e renovam o compromisso de evangelizar
Ao final da 62ª Assembleia Geral da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi divulgada a mensagem do
episcopado a todo o povo de Deus. Esperança e unidade inspiram o texto que
apresenta um chamado à comunhão e ao renovado compromisso de evangelizar numa
Igreja onde todos são “corresponsáveis pela missão da Igreja, qualquer que seja
o ministério que exerçamos”.
Os bispos unem-se ao Papa Leão XIV em
seu profético empenho pela paz; destacam o Batismo como fonte de todas as
vocações e a riqueza dos dons e carismas “que, na diversidade dos ministérios,
dinamizam o serviço na Igreja e na sociedade”; e manifestam gratidão a todo o
Povo de Deus, “que se mantém fiel no seguimento a Jesus Cristo”, com
proximidade aos que “sofrem calúnias e agressões por seu compromisso com o
Evangelho”.
Há o pedido de esforço pela unidade e
pela valorização da diversidade dos dons, além do convite ao renovado
compromisso na construção da cultura vocacional.
No espírito de comunhão e unidade, os
bispos motivam a assumir “com renovado ardor, as novas Diretrizes Gerais da
Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”, expressão concreta da acolhida ao
caminho sinodal.
“Somos uma Igreja ministerial e, sob o
olhar amoroso da Virgem Aparecida, Mãe das Vocações, renovamos nosso
compromisso de evangelizar, anunciando Jesus Cristo com alegria e esperança,
para que cheguemos à plenitude do Reino de Deus”.
Confira a mensagem na íntegra:
MENSAGEM DOS BISPOS DO BRASIL AO POVO DE
DEUS
Jesus disse de novo: “A paz esteja
convosco.
Como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20,21)
Reunidos em Aparecida, junto à Padroeira
do Brasil, nós, Bispos Católicos, por ocasião da 62ª Assembleia Geral da CNBB,
de 15 a 24 de abril, dirigimos esta mensagem de esperança e unidade a todo o
Povo de Deus. Fortalecidos pela oração, reafirmamos o compromisso de
evangelizar, sendo uma Igreja Sinodal que escuta, acolhe e serve a Jesus Cristo
com amor e fidelidade.
Unimo-nos ao Papa Leão XIV em seu
profético empenho pela paz, que não pode ser um ideal distante, mas uma
realidade concreta. Exortamos todos a reconhecer que a paz, dom do
Ressuscitado, brota da conversão dos corações, do diálogo fraterno e da
solidariedade com os mais pobres.
O Batismo é a fonte de todas as vocações
e, por meio dele, somos chamados à santidade e à comunhão. Revestidos todos da
mesma dignidade, tornamo-nos corresponsáveis pela missão da Igreja, qualquer
que seja o ministério que exerçamos. Nesta harmonia, reconhecemos a riqueza dos
dons e carismas que, na diversidade dos ministérios, dinamizam o serviço na
Igreja e na sociedade.
Manifestamos nossa gratidão a todo o
Povo de Deus, que se mantém fiel no seguimento a Jesus Cristo, e expressamos
nossa proximidade a todos os cristãos leigos e leigas, consagrados e
consagradas, e ministros ordenados que sofrem calúnias e agressões por seu
compromisso com o Evangelho, principalmente junto aos pobres e na defesa da
Casa Comum.
Pedimos a todos um esforço contínuo pela
unidade, fazendo de nossas comunidades ambientes onde o diálogo se manifeste na
superação das polarizações. Empenhemo-nos na valorização da diversidade dos
dons, onde todos os ministérios sejam vividos como serviço ao próximo, num
caminho de comunhão, participação e missão.
Somos gratos aos cristãos leigos e
leigas, chamados a ser sal da terra e luz do mundo nas realidades sociais e
eclesiais (cf. Mt 5,13-16). Enaltecemos, igualmente, a vocação matrimonial e a
família, cuja missão reside em gerar e cuidar da vida, na educação das novas
gerações e na transmissão da fé.
Esse mesmo olhar queremos dirigir aos
diáconos e presbíteros, chamados — a exemplo do Bom Pastor — a serem conosco os
primeiros, dentre o Povo de Deus, servidores na comunidade e dispensadores da
graça sacramental, construindo um caminho de unidade e comunhão. Reconhecemos
também a importância da vida consagrada e seu compromisso missionário,
especialmente junto aos mais fragilizados, como um sinal profético de doação da
própria vida e um testemunho da alegria no discipulado.
Iluminados pelo magistério do Papa
Francisco, que nos animou a ser uma “Igreja em saída”, reconhecemos o trabalho
incansável de todos os fiéis que se dedicam às iniciativas de cuidado dos
pobres e da Casa Comum, atuando nas periferias geográficas e existenciais. A
doação de suas vidas, nesta missão, impulsiona-nos a uma sensibilidade e
abertura missionária permanentes.
Agradecemos, de modo especial, a todos
os jovens presentes em nossas comunidades. Vocês são o “agora de Deus”, e nos
ajudam a ser uma Igreja viva e renovada. Ao mesmo tempo, convidamos todas as
lideranças eclesiais a acolherem e caminharem junto aos jovens, no cuidado, na
escuta e no discernimento.
Convidamos todos a um renovado
compromisso na construção da cultura vocacional, fazendo de nossas comunidades
espaços de encontro, testemunho e missão. Ao redor da mesa da Palavra e da
Eucaristia, em cada domingo, unamo-nos na oração pelas vocações e pela
perseverança dos que se colocam a serviço da evangelização.
Neste espírito de comunhão, como um só
corpo (cf. Rm 12,5), assumamos, com renovado ardor, as novas Diretrizes Gerais
da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Elas são a expressão concreta de
nossa acolhida ao caminho sinodal, que nos leva a redescobrir a beleza da
variedade das vocações, carismas e ministérios.
Somos uma Igreja ministerial e, sob o
olhar amoroso da Virgem Aparecida, Mãe das Vocações, renovamos nosso
compromisso de evangelizar, anunciando Jesus Cristo com alegria e esperança,
para que cheguemos à plenitude do Reino de Deus.
Aparecida – SP, 24 de abril de 2026.
62ª Assembleia Geral da CNBB
Dom Jaime Cardeal Spengler
Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre – RS
Presidente da CNBB
Dom João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia – GO
1º Vice-Presidente da CNBB
Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa
Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife – PE
2º Vice-Presidente da CNBB
Dom Ricardo Hoepers
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília – DF
Secretário-Geral da CNBB